FMI dá nota positiva à Guiné-Bissau
27 de fevereiro de 2015A Missão de Avaliação Técnica do Fundo Monetário Internaciona (FMI), deu nota positiva ao desempenho macroeconómico do governo da Guiné-Bissau nos últimos seis meses.
Quando as previsões apontavam para um crescimento de 40% na arrecadação fiscal, o Governo da Guiné-Bissau surpreendeu a todos atingindo um aumento em 60% das receitas em 2014, comparado com o montante do ano anterior.
"As receitas aumentaram mais do que o previsto para esta altura. Este é um desempenho muito importante, encorajador e necessário," avalia Félix Fischer, chefe da Missão de Avaliação do FMI que esteve em Bissau durante três dias (24/26.02).
Medidas do Governo
O aumento de receitas é atribuído a um controlo reforçado de mercadorias e à criação de um comité de tesouraria para as finanças públicas, entre outras medidas, implementadas pelo ministro da Economia e Finanças, Geraldo Martins.
"Temos uma situação hoje que é bastante melhor que aquela que herdamos há uns sete ou oito meses atrás. Conseguimos normalizar o pagamento dos salários, pagamos os atrasados salariais, pagamos os atrasados externos e tomamos algumas medidas que estão a ter repercussões importantes em termos de receitas, quer ao nível das alfândegas, quer ao nível das contribuições e impostos," explica o ministo.
À procura de parceiros
A avaliação positiva do FMI surge pouco tempo antes da realização de uma mesa-redonda de doadores, promovida pelo Governo da Guiné-Bissau, prevista para acontecer no próximo dia 25 de março, em Bruxelas, capital da Bélgica.
Para o encontro em que o Governo vai procurar parceiros para a estratégia de desenvolvimento do país, Geraldo Martins diz que toda a Guiné-Bissau está mobilizada.
"Estamos a elaborar e a selecionar as áreas estratégicas mais importantes e é o que vamos levar à mesa-redonda. O que estamos a dizer aos parceiros é: 'acreditem na nossa visão. Nós temos uma visão, venham ajudar-nos," revela Martins.
Segundo o ministro da Economia e Finanças, a Guiné-Bissau não busca apenas recursos financeiros, mas também assistência técnica e a realização de estudos para que a visão estratégica 2015/2025 possa ser implementada "para que o país, dentro de 10 anos, possa ser um país completamente diferente."
Ainda de acordo com o ministro Geraldo Martins, tudo está a postos para o dia 25 de março, mas lembra que o mais importante para a Guiné-Bissau não é o encontro em Bruxelas.
O mais importante para nós é o que vai acontecer depois da mesa-redonda. É óbvio que, nas mesas-redondas, fala-se em números e é normal que as pessoas queiram saber se estamos a falar de cem, 200, 300, 400. Mas, para nós, não é o mais importante," diz.
A Assembleia Nacional Popular (ANP) pretende fazer deslocar à Bélgica todas as bancadas parlamentares como um voto de confiança ao Governo, disse o presidente da ANP, Cipriano Cassamá."