Peters eleito, mas com puxão de orelha
31 de agosto de 2003Os votos recebidos – 391 de 592 delegados – são uma clara advertência ao ex-vice, agora presidente, responsabilizado pelo maior fracasso na história do sindicato, quando teve de ser cancelada a greve pela equiparação da jornada de 35 horas semanais aos trabalhadores do Leste alemão.
Trata-se do pior resultado em 40 anos na votação a um presidente do sindicato que representa 2,5 milhões de filiados. Só para comparação: o presidente anterior, Klaus Zwickel, havia sido confirmado por 87% dos delegados. Jürgen Peters, de 59 anos, terá ao seu lado Berthold Huber, um sindicalista voltado para o consenso e mais aberto a reformas, eleito com 67% dos votos.
Homem de convicção
Após a eleição, Peters disse tratar-se de um resultado honesto, em vista da polêmica das últimas semanas. Ele prometeu esforços para não desiludir quem confiou nele e, ao mesmo tempo, conquistar a simpatia dos que não votaram nele.
O novo presidente do sindicato dos metalúrgicos, nascido em 1944 na Alta Silésia (atual Polônia), é tido por críticos como um "cabeça dura", mas apreciado por muitos por ser um homem de convicção e senso de realismo. "Um dogmatista com tendência para ações pragmáticas", foi como o descreveu, há alguns anos, o Süddeutsche Zeitung.
Longa carreira de sindicalista
Pouco depois do nascimento de Peters, a família precisou deixar a pátria e estabeleceu-se finalmente em Hanôver, onde ele fez um aprendizado de serralheiro mecânico na empresa Hanomag, na qual trabalhou em seguida durante quatro anos. Ainda adolescente, ingressou para o sindicato dos metalúrgicos.
Desistiu de estudar engenharia, dando preferência a uma carreira no sindicato, inicialmente como docente na academia da organização. A partir de 1976, dirigiu o escritório regional do IG Metall em Düsseldorf, época em que acompanhou todas as crises na indústria siderúrgica na região do Ruhr. Desde então, atribui grande valor à garantia dos postos de trabalho. Em 1988, retornou a Hanôver, onde se tornou diretor regional.
Participação em reformas importantes
Uma das obras de Peters é o chamado "modelo hanoverano", que entrou para a história dos sindicatos: um acordo-piloto em que os empregadores garantiam por cinco anos (de 1996 a 2001) o pagamento de 100% do salário em caso de doença, em troca de uma redução do bônus de Natal, de 60% para 55%.
Quando o então vice-presidente dos metalúrgicos, Walter Riester, assumiu o cargo de ministro do Trabalho e Assuntos Sociais do governo Schröder, em setembro de 1998, Peters foi eleito seu substituto, contra a vontade do presidente Klaus Zwickel. Acordos salariais inovadores, como o que estabeleceu a jornada semanal de quatro dias na Volkswagen, em 1994 — que contribuiu para salvar milhares de empregos —, foram negociados na gestão de Peters, responsável por este setor dentro da diretoria.