Uhuru Kenyatta reeleito Presidente do Quénia
11 de agosto de 2017Como os números preliminares da Comissão Eleitoral indicavam, o Presidente Uhuru Kenyatta, de 55 anos, foi reeleito para um novo mandato de cinco anos.
Filho do fundador e primeiro Presidente do Quénia, Jomo Kenyatta, que governou o país de 1964 a 1978, Kenyatta teve a primeira experiência na política em 1996, quando foi eleito presidente de uma ala do então partido no poder, a União Nacional Africana do Quénia (KANU, nasigla em inglês).
Foi também presidente da Autoridade de Turismo e, em 2001, entrou para o Parlamento. No mesmo ano, foi nomeado ministro dos Governos Locais. Aos apenas 39 anos de idade, concorreu à Presidência, sem sucesso. Já em 2007, apoiou a campanha do Presidente Mwai Kibaki contra o opositor da etnia Luo, Raila Odinga.
O processo eleitoral ficou marcado pela violência. MIlhares de pessoas morreram e o Tribunal Penal Internacional (TPI) abriu um processo em que Kenyatta foi acusado de apoiar a violência contra a etnia Luo.
A aliança eleitoral com o seu atual vice-Presidente, William Ruto, deu-lhe a vitória em 2013 contra Raila Odinga, além do fim do processo no TPI.
Acusações de fraude
Apesar do anúncio dos resultados, o impasse em torno do vencedor das presidenciais no Quénia continua. Esta sexta-feira (11.08), o conselheiro sénior da oposição James Orengo afirmou que, só se tivesse acesso aos computadores da Comissão Eleitoral, a oposição respeitaria os resultados das presidenciais: "Porque a informação que nós demos sobre quem está a ganhar e quem não está veio daqueles computadores. Isso está em conformidade com a lei eleitoral, que diz que qualquer tecnologia que a CNE implemente nas eleições tem de pautar pela verificabilidade, responsabilidade, credibilidade e transparência", defendeu.
Orengo descartou a hipótese de levar a disputa à Justiça.
Na quinta-feira, a oposição divulgou números diferentes dos apresentados pela Comissão Eleitoral e exigiu que Raila Odinga fosse declarado vencedor das presidenciais. Roslyn Akombe, funcionária sénior da autoridade eleitoral deu uma resposta clara: "A Constituição do Quénia é muito clara: O único órgão que tem autoridade para organizar, contar e anunciar os resultados é a Comissão Eleitoral do Quénia, a IEBC", declarou.
Comissão Eleitoral rejeita acusações
A Comissão disse ter comparado meticulosamente cada resultado do sistema de votação eletrónica com os números dos formulários em papel de todas as assembleias de voto, depois de a oposição denunciar fraude eleitoral.
A CNE rejeita as reivindicações de Raila Odinga de que o banco de dados do órgão tenha sido pirateado e que os resultados foram manipulados contra ele.
O Presidente Uhuru Kenyatta não comentou as alegações de fraude e os observadores eleitorais internacionais disseram que não viram sinais de interferência na votação.
O embaixador dos Estados Unidos, Robert Godec, sublinhou que o trabalho dos funcionários eleitorais não deveria ser interrompido e que eventuais disputas devem ser resolvidas por meios legais.
"A violência nunca deve ser uma opção. Nenhum queniano deve morrer por causa de uma eleição. O futuro do Quénia é mais importante do que qualquer eleição. Os líderes, acima de tudo, precisam de deixar isso claro", apelou o embaixador.
Clima de tensão
Os apoiantes da oposição queimaram pneus e bloquearam ruas em Kibera, na periferia de Nairobi, e em Kisumu, uma cidade no sudoeste do país onde Odinga tem um forte apoio. Pelo menos três pessoas foram baleadas e mortas durante confrontos entre agentes da polícia e manifestantes esta semana.
Apesar do clima de intolerância, o politólogo queniano Martin Oloo disse, em entrevista à DW que espera o retorno da normalidade em breve: "Mais cedo ou mais tarde, Odinga vai conceder a derrota. Para além das suas plataformas políticas e comunidades étnicas, esses dois líderes são muito amigos, as suas famílias são amigas. O que eles precisam de fazer é convidarem-se mutuamente para uma taça de chá e confortarem-se um ao outro. Porque os quenianos precisam de paz, precisam de retornar à normalidade", disse o analista.