Oposição são-tomense marca congresso eletivo
27 de fevereiro de 2022"O ADI é um partido democrático - é bom que fique bem claro - e por ser um partido democrático que se prima pelos princípios livres da democracia limpa, então nós trouxemos esta data [de 09 de abril]. A partir daqui significa que aqueles que quiserem apresentar a candidatura poderão fazer dentro dos prazos que são estabelecidos", explicou Nito Abreu, porta-voz do Conselho Nacional do ADI.
Até ao momento, Patrice Trovoada,atual presidente do ADI e ex-primeiro-ministro entre 2014 e 2018, é o único candidato à sua própria sucessão.
Na semana passada, Patrice Trovoada, que está ausente do país desde 2018, apelou aos militantes do ADI no sentido de trabalharem para o partido alcançar a maioria absoluta reforçada nas eleições legislativas previstas para outubro próximo.
"Sinal forte"
"Temos que dar um sinal forte e esse sinal forte é dar ao ADI uma maioria absoluta forte, que seja acima de 33 deputados", defendeu Trovoada, durante uma conversa de vídeo divulgada na página do partido no Facebook.
O ex-primeiro-ministro realçou que "ninguém pode ter medo disso [maioria reforçada], a não ser pessoas que têm problemas pessoais", tendo indicado como "os marcadores fundamentais" superar a maioria absoluta de 33 deputados que conseguiu em 2014.
"Um marcador fundamental é que o ADI trabalhe mais e melhor e que o ADI se abra mais aos outros. O segundo marcador é que toda a gente entenda que o ADI precisa de maioria absoluta para Patrice Trovoada ser primeiro-ministro, para nós podermos ganhar a estabilidade e a capacidade de poder reformar o país", explicou o líder do ADI.
O porta-voz da comissão política do ADI, Elísio Teixeira explicou hoje que, além da eleição dos órgãos diretivos, o congresso de abril servirá para "apresentação e atualização de alguns documentos essências para o funcionamento do partido".
"Relativamente ao estatuto nós faremos alterações para adequá-lo às necessidades e também para a nossa própria organização interna, e apresentaremos também um regulamento para o funcionamento do grupo parlamentar enquanto o braço político mais ativo do partido no parlamento, para que haja uma maior comunicação, maior relação institucional e funcionamento das linhas orientadoras do partido no parlamento", explicou Elísio Teixeira.
Patrice Trovoada já havia criticado o funcionamento do grupo parlamentar do ADI durante uma mensagem de vídeo enviada para a comissão política do partido que esteve reunida no início do mês.
"Humilhados por certos deputados"
"Nesses últimos anos, o grupo parlamentar brindou-nos com as mais diversas formas de vagabundagem política, levando a base da militância do partido e os eleitores em geral a sentirem-se humilhados por certos deputados mercenários e egoístas. A estes companheiros e futuros ex-companheiros eu garanto que jamais voltarão a ser representantes do povo sobre a bandeira do ADI e enquanto eu for presidente do partido", disse Patrice Trovoada.
Segundo Elísio Teixeira, outro objetivo da revisão dos estatutos do ADI é conferir mais atenção à ação política do ADI na ilha do Príncipe através de um dos seus vice-presidentes.
"Um dos vice-presidentes do partido estará virado para a Região Autónoma do Príncipe para que haja uma maior comunicação, uma maior assunção de responsabilidade da ligação com a Região Autónoma do Príncipe que reclama, com toda razão, que sente um certo distanciamento", precisou Elísio Teixeira.
O ADI foi o partido mais votado nas eleições legislativas de 2018, tendo eleito 25 deputados, num total de 55, mas não teve apoio parlamentar para formar Governo. Patrice Trovoada, até então primeiro-ministro, ausentou-se do país nessa altura e não regressou até agora.
Um acordo parlamentar entre o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP/PSD) e a coligação PCD-MDFM-UDD permitiram uma maioria de 28 deputados que garantiu o suporte parlamentar ao Governo chefiado por Jorge Bom Jesus.
São Tomé e Príncipe deverá realizar as eleições legislativas, autárquicas e regionais em outubro.